Historia

Como era a travessia do Goio-Ên antes da ponte?

Publicado em 07/08/2026 · Portal Villagos

Antes da inauguração da ponte sobre o Rio Uruguai, a travessia no Goio-Ên era realizada exclusivamente por balsas. Esse sistema era o único elo entre o oeste catarinense e o norte gaúcho, sendo fundamental para o transporte de mercadorias e passageiros. O trajeto era lento e dependia totalmente das condições climáticas e do volume de água do rio, moldando o ritmo de vida e o comércio local na época.

O distrito do Goio-Ên, em Chapecó, é hoje um refúgio de lazer e contemplação, mas sua história está profundamente ligada à logística e ao desafio de transpor um dos maiores rios do sul do Brasil. Durante décadas, cruzar a fronteira natural entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul exigia paciência e destreza. Quem passa hoje pela moderna ponte da BR-480 nem sempre imagina que, ali embaixo, o movimento era ditado pelo ritmo das águas e pelo vai e vem de balsas de madeira e metal que transportavam desde pedestres até caminhões carregados.

Como era o funcionamento da balsa no Goio-Ên?

A travessia por balsa no Goio-Ên não era apenas um serviço de transporte, mas um ponto de encontro social. As balsas eram movidas por sistemas de cabos de aço esticados de uma margem à outra, utilizando a própria força da correnteza ou motores a diesel para realizar a manobra. De acordo com registros históricos preservados pela Prefeitura de Chapecó, o local era um dos principais portos fluviais da região. O tempo de espera para o embarque costumava ser longo, especialmente em dias de feira ou períodos de safra, o que incentivou o surgimento de pequenos comércios, bares e pensões em ambas as margens, criando o embrião do que hoje é o polo turístico do distrito.

Quais eram os perigos e desafios da época?

A travessia estava longe de ser um processo simples. O Rio Uruguai é conhecido por suas cheias repentinas e correntezas fortes. Antes das barragens regularem o fluxo, o nível do rio podia subir vários metros em poucas horas após chuvas intensas nas cabeceiras. Quando o rio ‘bravejava’, as balsas eram impedidas de operar por segurança, deixando viajantes isolados por dias. É importante lembrar que, ainda hoje, a segurança deve ser prioridade: o nível e a correnteza do Rio Uruguai variam constantemente devido às chuvas e à operação das usinas hidrelétricas, exigindo cuidado redobrado em qualquer atividade náutica.

Quando a ponte foi construída e o que mudou?

A substituição das balsas por uma estrutura fixa foi um marco para a integração regional. A construção da ponte sobre o Rio Uruguai na rodovia que liga Chapecó a Nonoai (RS) foi uma demanda de décadas, consolidada para facilitar o escoamento da produção agrícola do Oeste de Santa Catarina. Conforme dados do IBGE, o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária foi o motor para a transformação do Goio-Ên. Com a ponte, o tempo de viagem caiu drasticamente, mas o charme da ‘parada no rio’ permaneceu no DNA dos moradores, que viram o perfil do lugar mudar de um posto de passagem para um destino turístico de natureza.

Como a história da balsa influenciou o turismo atual?

A antiga dependência do rio criou uma cultura de hospitalidade. Os locais onde as balsas atracavam tornaram-se áreas de lazer naturais. Muitos dos restaurantes e campings que hoje recebem visitantes no Goio-Ên descendem daquela época em que era necessário oferecer abrigo e comida para quem aguardava a travessia. Hoje, o turismo rural e os esportes náuticos são os grandes atrativos, mas a memória dos balseiros ainda vive nas histórias contadas pelos moradores mais antigos, que recordam com nostalgia do tempo em que o rio era o senhor absoluto do tempo e do destino de quem viajava.

O que resta daquele tempo para o visitante conhecer?

Embora as balsas comerciais não operem mais no ponto principal da ponte, a topografia da região ainda preserva as antigas rampas de acesso e a memória visual das margens. Visitar o Goio-Ên hoje é uma oportunidade de entender como o homem se adaptou à geografia imponente do Rio Uruguai. Para quem gosta de história, observar o encontro das águas e as marcas das cheias históricas nas pedras da margem é um exercício de conexão com o passado. A região continua sendo um ponto vital de conexão, agora não mais por necessidade de travessia lenta, mas como um refúgio para quem busca a paz que o Rio Uruguai proporciona.

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Perguntas frequentes

Ainda existe balsa no Goio-Ên para atravessar o rio?

É seguro tomar banho de rio onde as balsas ficavam?

Fontes e referências

  1. Prefeitura de Chapecó - História
  2. IBGE - Histórico de Chapecó

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