A construção da Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, concluída em 2010, foi o marco que transformou o Rio Uruguai no Goio-Ên de um curso de água corrente em um reservatório calmo. Essa mudança histórica alterou profundamente o ecossistema local, impulsionou o turismo náutico e redefiniu a ocupação das margens, criando a paisagem de lazer e contemplação que moradores e visitantes desfrutam atualmente na região oeste catarinense.
Quem visita o Goio-Ên hoje encontra um espelho d’água vasto e sereno, ideal para esportes náuticos e contemplação. No entanto, para quem conheceu a região antes da década de 2010, a memória é de um Rio Uruguai muito diferente: mais estreito, com correntezas fortes, pedrais expostos e uma dinâmica de cheias natural. A história moderna do nosso distrito está intrinsecamente ligada à construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Foz do Chapecó, um empreendimento que não apenas gerou energia para o país, mas redesenhou permanentemente o nosso mapa e a nossa cultura local.
Quando começou a história da Usina Foz do Chapecó?
A ideia de aproveitar o potencial hidrelétrico do Rio Uruguai remonta a décadas atrás, mas o projeto da UHE Foz do Chapecó ganhou força no início dos anos 2000. As obras iniciaram formalmente em 2007, mobilizando milhares de trabalhadores e transformando a pacata rotina do distrito. Segundo dados da Foz do Chapecó Energia, a usina tem uma potência instalada de 855 MW, o suficiente para abastecer mais de cinco milhões de pessoas. O fechamento das comportas e o consequente enchimento do reservatório ocorreram em 2010, momento que marcou a transição definitiva da paisagem local.
Quais foram os impactos históricos no patrimônio arqueológico?
Um aspecto fascinante e pouco divulgado da construção da usina foi o resgate arqueológico realizado antes da inundação das margens. Como o Vale do Rio Uruguai é uma área de ocupação milenar, as escavações revelaram milhares de artefatos que contam a história de povos indígenas que habitaram a região muito antes da colonização europeia. Foram encontrados fragmentos de cerâmica, pontas de flecha e ferramentas de pedra lascada. Esse levantamento, detalhado em relatórios ambientais e históricos, permitiu que parte da memória dos povos Kaingang e Guarani fosse preservada em museus, antes que seus antigos assentamentos fossem cobertos pelas águas do lago.
Como era o Rio Uruguai no Goio-Ên antes do reservatório?
Antigamente, a travessia entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul era ditada pelo ritmo do rio. Onde hoje vemos uma lâmina d’água constante, antes existiam corredeiras famosas e o som do rio batendo nas pedras era constante. A vegetação ciliar era mais baixa e próxima ao leito original. A economia local girava muito em torno da pesca artesanal de subsistência e de pequenas propriedades rurais. Com a formação do reservatório, que possui uma área de aproximadamente 80 km², muitas dessas áreas foram submersas, exigindo um processo de reassentamento de famílias e a criação de novas infraestruturas, conforme registrado no histórico de formação dos distritos pela Prefeitura de Chapecó.
De que forma a usina impulsionou o turismo regional?
A criação do lago artificial foi o catalisador para o Goio-Ên se tornar o principal polo turístico de Chapecó. O rio, antes perigoso para embarcações de pequeno porte devido às rochas, tornou-se navegável e seguro para lanchas, iatismo e motos aquáticas. Isso atraiu investimentos em marinas, condomínios e restaurantes. A paisagem “estilo lago” permitiu que o pôr do sol se tornasse um espetáculo ainda mais amplo, refletido na calmaria das águas. O turismo rural, que já existia na região de forma incipiente, expandiu-se para oferecer experiências que unem a história da colonização italiana e alemã com o lazer náutico moderno.
Como funciona a segurança e o monitoramento do nível do rio?
É fundamental entender que, embora pareça um lago natural, o Rio Uruguai no Goio-Ên é um reservatório de uma usina hidrelétrica. Isso significa que o nível da água é monitorado constantemente e pode variar conforme a necessidade de geração de energia ou devido a chuvas nas cabeceiras dos rios que formam o Uruguai (Canoas e Pelotas).
Nota de Segurança: O nível e a correnteza do Rio Uruguai variam significativamente de acordo com a operação da barragem e o volume de chuvas. Antes de nadar, navegar ou pescar, esteja ciente de que mudanças rápidas podem ocorrer. Recomenda-se cautela redobrada em áreas próximas a estruturas da usina e atenção aos avisos sonoros ou sinalizações locais.
O legado ambiental e a preservação atual
Com a inundação de áreas de mata original, a administração da usina e os órgãos ambientais implementaram programas de reflorestamento e corredores ecológicos. Hoje, as Áreas de Preservação Permanente (APP) ao redor do lago ajudam a proteger a fauna local, como diversas espécies de aves e pequenos mamíferos. A história da usina é, portanto, uma história de adaptação: da natureza que se reorganizou e da comunidade que aprendeu a conviver com um novo Rio Uruguai, valorizando a preservação para garantir que as futuras gerações também possam desfrutar desta herança histórica e natural.
Leia mais no site
- Como era a travessia do Goio-Ên antes da ponte?
- Quais árvores nativas protegem a margem do Rio Uruguai no Goio-Ên?
- Como navegar no Rio Uruguai? Guia para lanchas e motos aquáticas
- O ciclo da Piracema no Rio Uruguai: como a natureza se renova?
- O que significam Goio-Ên e Xanxerê? Conheça a herança Kaingang